Luiz de Souza Arraes
Luiz de Souza Arraes

O ano de 2017 não foi fácil para o maioria dos  brasileiros, mas se desenhou ainda pior para a classe trabalhadora. Para as  organizações sindicais, o ano de 2018 será, portanto, de definições no que se refere à sua  principal missão, de  preservar direitos sociais e fazer avançar a luta por conquistas,  ante os  inúmeros desvios que conspiram contra esse objetivo. Um deles, talvez o mais resistente, é a Reforma Trabalhista, cuja real motivação  sempre foi a de abrir espaço para a eliminação da totalidade de  direitos  da   classe operária, e mantê-la afastada  dos sindicatos.

Disso se depreende que a  capacidade  negocial das entidades frente às  Convenções Coletivas  é tema que certamente   renderá muita discussão e olhar histórico. São inúmeros os questionamentos e as dúvidas que cercam a   Lei 13.467. Porém, é ponto comum entre diversos e renomados  nomes da Justiça do Trabalho a ideia de que  a Reforma Trabalhista  criou uma narrativa de   risco ao patamar civilizatório mínimo, e  agravo ao princípio da dignidade da pessoa humana. Tudo somado, é fato que defender que legados não sejam subtraídos pelos desdobramentos potenciais da medida, bem como garantir representatividade e sobrevivência, exigirá de   sindicatos e Federações melhorar  a  efetividade de suas ações como um todo, mas, sobretudo, no que se refere ao trabalho  de base. Nessa jornada, que se renova a cada dia,  permanece essencial a  construção de   diálogo  e de    aproximação com o   trabalhador do século XXI, para quem  importa,  principalmente, vivenciar de perto o cotidiano  do seu sindicato,  e também  progredir  naquilo em que se sabe não ser  possível  conseguir sozinho.

A tarefa urgente de resgatar capacidade de mobilizar com eficácia uma  cooperação flexível e em grande escala é  condizente com o  escopo original do sindicalismo, e  encontra eco na realidade   do  país, reveladora de que o governo tem falhado consistentemente em promover crescimento econômico e em reduzir a desigualdade social. Mudar esse conturbado cenário instalado nos obriga ao desafio - e à oportunidade - de reescrever a história e, assim, reimaginar o futuro.  Feliz ano novo.

Luiz Arraes é presidente da Federação Estadual dos Frentistas (Fepospetro), secretário de Negociações Coletivas da Federação Nacional da categoria (Fenepospetro), Tesoureiro do Sinpospetro de Osasco/ SP e diretor de Relações Internacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC).

 

O ano de 2017 não foi fácil para o maioria dos  brasileiros, mas se desenhou ainda pior para a classe trabalhadora. Para as  organizações sindicais, o ano de 2018 será, portanto, de definições no que se refere à sua  principal missão, de  preservar direitos sociais e fazer avançar a luta por conquistas,  ante os  inúmeros desvios que conspiram contra esse objetivo. Um deles, talvez o mais resistente, é a Reforma Trabalhista, cuja real motivação  sempre foi a de abrir espaço para a eliminação da totalidade de  direitos  da   classe operária, e mantê-la afastada  dos sindicatos.

Disso se depreende que a  capacidade  negocial das entidades frente às  Convenções Coletivas  é tema que certamente   renderá muita discussão e olhar histórico. São inúmeros os questionamentos e as dúvidas que cercam a   Lei 13.467. Porém, é ponto comum entre diversos e renomados  nomes da Justiça do Trabalho a ideia de que  a Reforma Trabalhista  criou uma narrativa de   risco ao patamar civilizatório mínimo, e  agravo ao princípio da dignidade da pessoa humana. Tudo somado, é fato que defender que legados não sejam subtraídos pelos desdobramentos potenciais da medida, bem como garantir representatividade e sobrevivência, exigirá de   sindicatos e Federações melhorar  a  efetividade de suas ações como um todo, mas, sobretudo, no que se refere ao trabalho  de base. Nessa jornada, que se renova a cada dia,  permanece essencial a  construção de   diálogo  e de    aproximação com o   trabalhador do século XXI, para quem  importa,  principalmente, vivenciar de perto o cotidiano  do seu sindicato,  e também  progredir  naquilo em que se sabe não ser  possível  conseguir sozinho.

A tarefa urgente de resgatar capacidade de mobilizar com eficácia uma  cooperação flexível e em grande escala é  condizente com o  escopo original do sindicalismo, e  encontra eco na realidade   do  país, reveladora de que o governo tem falhado consistentemente em promover crescimento econômico e em reduzir a desigualdade social. Mudar esse conturbado cenário instalado nos obriga ao desafio - e à oportunidade - de reescrever a história e, assim, reimaginar o futuro.  Feliz ano novo.

Luiz Arraes é presidente da Federação Estadual dos Frentistas (Fepospetro), secretário de Negociações Coletivas da Federação Nacional da categoria (Fenepospetro), Tesoureiro do Sinpospetro de Osasco/ SP e diretor de Relações Internacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC).