Andréia Cunha
Andréia Cunha

"Vi a menina na estação do metrô e achei bonita. Caminhei até ela, esbarrei e passei a mão." É com essa “naturalidade” que um jovem de 24 anos contou como foi parar em uma delegacia em São Paulo, denunciado por abuso sexual. Casos como esse se repetem em todos os meios de transporte público, todos os dias.

Somente entre janeiro e setembro deste ano, o Metrô e a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) registraram 156 denúncias de assédios sexuais contra mulheres, quase 0,6 caso por dia. Felizmente, hoje, elas estão mais conscientes e encorajadas a denunciar, mas mesmo assim muitos casos não entram na triste estatística de abusos contra mulheres.

A pergunta que não quer calar é como conscientizar os abusadores, a maioria deles casados, pais e até avôs, de que a mulher não é um simples objeto disponível. A frequência com que os assédios sexuais ocorrem, não só em transportes públicos, tem de ser analisada com responsabilidade.

Não basta achar que encarcerar o indivíduo resolve o problema. Mas também aplicar aos abusadores algumas horas de trabalho comunitário e um salário mínimo de multa não parece surtir nenhum efeito.

Então, é hora de debater o assunto com seriedade, inclusive no meio sindical. Não basta criar comoção quando aparece um caso escabroso e tudo cair no esquecimento dias depois. Cada vez mais é preciso conscientizar as vítimas por que devem denunciar os abusos sexuais.

No início deste ano, foi lançado em São Paulo o programa “Todos juntos contra o abuso sexual”, envolvendo Tribunal de Justiça, empresas públicas e particulares de transporte e outras entidades. O objetivo desse programa é, com o apoio de profissionais, conscientizar aqueles que foram pegos cometendo abusos sexuais. Ainda é cedo para tirar uma conclusão, mas trata-se de uma iniciativa que merece ser acompanhada com atenção.

Andréia Cunha, diretora do Sindcato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá e 2ª secretária da Secretaria de Inclusão da Pessoa com Deficiência da Força Sindical-SP

 

"Vi a menina na estação do metrô e achei bonita. Caminhei até ela, esbarrei e passei a mão." É com essa “naturalidade” que um jovem de 24 anos contou como foi parar em uma delegacia em São Paulo, denunciado por abuso sexual. Casos como esse se repetem em todos os meios de transporte público, todos os dias.

Somente entre janeiro e setembro deste ano, o Metrô e a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) registraram 156 denúncias de assédios sexuais contra mulheres, quase 0,6 caso por dia. Felizmente, hoje, elas estão mais conscientes e encorajadas a denunciar, mas mesmo assim muitos casos não entram na triste estatística de abusos contra mulheres.

A pergunta que não quer calar é como conscientizar os abusadores, a maioria deles casados, pais e até avôs, de que a mulher não é um simples objeto disponível. A frequência com que os assédios sexuais ocorrem, não só em transportes públicos, tem de ser analisada com responsabilidade.

Não basta achar que encarcerar o indivíduo resolve o problema. Mas também aplicar aos abusadores algumas horas de trabalho comunitário e um salário mínimo de multa não parece surtir nenhum efeito.

Então, é hora de debater o assunto com seriedade, inclusive no meio sindical. Não basta criar comoção quando aparece um caso escabroso e tudo cair no esquecimento dias depois. Cada vez mais é preciso conscientizar as vítimas por que devem denunciar os abusos sexuais.

No início deste ano, foi lançado em São Paulo o programa “Todos juntos contra o abuso sexual”, envolvendo Tribunal de Justiça, empresas públicas e particulares de transporte e outras entidades. O objetivo desse programa é, com o apoio de profissionais, conscientizar aqueles que foram pegos cometendo abusos sexuais. Ainda é cedo para tirar uma conclusão, mas trata-se de uma iniciativa que merece ser acompanhada com atenção.

Andréia Cunha, diretora do Sindcato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá e 2ª secretária da Secretaria de Inclusão da Pessoa com Deficiência da Força Sindical-SP