Eduardo Genner de Sousa
Eduardo Genner de Sousa

A pior situação existente em relações humanas ou profissionais é de emparelhar joio e trigo como se fossem o mesmo produto . Vale ressaltar que quando chega o tempo da colheita os dois são peneirados ao vento. O joio, por ser leve, é espalhado pela mais suave brisa. O trigo fica na peneira pelo seu robusto  peso.

Assim podemos caracterizar as entidades sindicais no País. Ninguém nega a existência de joio no setor, assim como em outras funções e atividades como política, econômica, comércio e etc. No entanto, há muito trigo neste intermédio sindical.

O mesmo trigo que alimenta através do pão. Muitas destas entidades são guardiãs de direitos trabalhistas que ultrapassam a casa dos reajustes salariais. Conseguimos seguro de vida ao trabalhador e seus familiares diretos, estabilidade de gestantes e pais além de muitos outros. Conquistamos Planos de Participação nos Lucros (PPL) através dos Acordos Coletivos de Trabalho, ou seja, são as conquistas suplantando a legislação vigente.

Fazemos o dever de casa como ditam as regras, mas aparecem aqueles que odeiam determinadas correntes políticas misturando joio e trigo ao afirmar que nenhum presta. “ É preciso queimar toda estrutura sindical existente hoje no Brasil”, dizem os mais afoitos em verem as suas vaidades de caudilho serem realizadas.

Para aqueles que alegam que temos muito mais sindicatos que países como Argentina, por exemplo, segue uma conta rápida. Na Argentina existem 91 sindicatos, a proporção é de 0,64  trabalhadores para cada entidade. No Brasil, 15 mil sindicatos representam 6.4 trabalhadores. Não tem como comparar.

Muitas entidades sindicais investem sua arrecadação para sua logística funcional e até mesmo atender o trabalhador em necessidades sociais como assistência médica, odontológica e cursos profissionalizantes. Tem mais: Por força de lei 10% a 20% do arrecadado engrossa o tesouro do Governo Federal.

Salienta-se que defendemos o uso da peneira que separa joio do trigo, mas não aceitamos o nosso extermínio deixando trabalhadores sem o pão da justiça do trabalho.

Temos uma Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) decrépita que não se comunica mais com o mundo atual das relações trabalhistas. Nada mais necessário que sindicatos fortes e até mesmo vigiados por um órgão maior para deixar clara a transparência no uso do dinheiro do trabalhador. Isso é sensatez.

Toda Justiça é plena quando existe um intermediador. É como a separação do joio e do trigo. É preciso o olhar do produtor experiente para que toda produção não seja incinerada.

Eduardo Amorim é Presidente da Federação dos Trabalhadores no Comércio nos Estados de Goiás e Tocantins ( FETRACOM GO/TO )  / Sindicato dos Empregados no Comércio no Estado de Goiás /  Comissão de Direito Sindical da OAB