No Brasil, o índice de alunos que abandonam o ensino médio é o dobro da média do bloco
Professores no país têm baixo salário e sala cheia Crédito: Divulgação

A rotina do professor brasileiro envolve salários mais baixos e salas mais cheias quando comparada a outros países; apesar disso, a escolha pela carreira de professor entre os jovens brasileiros que se formam no ensino superior é maior que a média verificada na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico ou Econômico (OCDE).

No Brasil, o índice de alunos que abandonam o ensino médio é o dobro da média do bloco; quem consegue se formar, no entanto, tem empregabilidade e recompensa salarial maiores na comparação internacional. Há dualidade também no investimento em educação: o gasto representa fatia do Produto Interno Bruto (PIB) maior que a dos países da OCDE; já o investimento por aluno brasileiro, no entanto, ainda está bem abaixo ao da média dos países do bloco.

Essas contradições da educação brasileira estão expostas no relatório "Education at a Glance 2017", divulgado ontem pela OCDE e que reúne dados sobre a educação nos 35 países que compõem o bloco, mais parceiros como Brasil e Rússia. O relatório destaca que mais de 50% da população de 25 a 64 anos não havia cursado o ensino médio em 2015, mais que o dobro da média dos países da OCDE, que é de 22%. Além disso, 17% da população de 25 a 64 anos não havia sequer nem completado os anos iniciais do ensino fundamental no Brasil (ante média de 2% da OCDE).

O relatório, por outro lado, destaca um progresso "notável": entre a geração mais nova, de 25 a 34 anos de idade, a parcela que alcançou o ensino médio subiu de 53% em 2010 para 64% em 2015.

De acordo com a pesquisa, cinco anos após o ingresso no ensino médio, 41% dos estudantes brasileiros haviam abandonado a escola sem concluir a etapa de ensino, o que corresponde a quase o dobro dos 21% registrados, em média, nos outros 18 países com dados disponíveis.

Como na maioria dos países membros e parceiros da OCDE, os cursos de ensino superior mais populares no Brasil são os de negócios, administração e direito, que responderam por 37% dos graduados em 2015. O segundo mais popular no país é a pedagogia, que respondeu por 20% dos graduados, o dobro da média da OCDE.

"Além de salários mais baixos e turmas maiores, cada professor no Brasil é responsável por um número comparativamente maior de turmas, o que sugere que eles precisam passar muito do seu tempo lecionando", informa o levantamento da OCDE.

O salário inicial de um professor brasileiro, baseado em qualificações mínimas, é de US$ 13 mil por ano (pouco mais de R$ 3 mil mensais), muito baixo comparado aos US$ 30 mil mínimos da média da OCDE. "Apesar das condições pouco favoráveis, o Brasil consegue atrair jovens para a profissão", diz a pesquisa. A idade média dos professores da educação básica brasileira é 40 anos de idade - na OCDE, 45 anos.

Embora a fatia do PIB que vai para a educação seja maior que a de outros países, o investimento por aluno é baixo. O governo brasileiro investe em educação o equivalente a 5,4% do PIB (do ensino fundamental ao do ensino fundamental à educação superior), mais que a média da OCDE de 4,8%, e que Argentina (4,9%) e Chile (4%).

Por outro lado, o investimento anual por aluno no Brasil é de US$ 5.600 (do ensino fundamental ao superior), ante US$ 10.800 da média da OCDE. O relatório destaca que o gasto por aluno é ainda mais baixo nos anos iniciais da educação: tanto no ensino fundamental quanto no médio, o Brasil investe cerca de US$ 3.800 por aluno; a OCDE gasta US$ 8.700 no ensino fundamental e US$ 10.100 no ensino médio.

A pesquisa diz também que o gasto em educação é mais descentralizado no Brasil na comparação internacional: o governo central responde por só 10% dos fundos, Estados 43% e os municípios, 47%.

 

Professores no país têm baixo salário e sala cheia Crédito: Divulgação

A rotina do professor brasileiro envolve salários mais baixos e salas mais cheias quando comparada a outros países; apesar disso, a escolha pela carreira de professor entre os jovens brasileiros que se formam no ensino superior é maior que a média verificada na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico ou Econômico (OCDE).

No Brasil, o índice de alunos que abandonam o ensino médio é o dobro da média do bloco; quem consegue se formar, no entanto, tem empregabilidade e recompensa salarial maiores na comparação internacional. Há dualidade também no investimento em educação: o gasto representa fatia do Produto Interno Bruto (PIB) maior que a dos países da OCDE; já o investimento por aluno brasileiro, no entanto, ainda está bem abaixo ao da média dos países do bloco.

Essas contradições da educação brasileira estão expostas no relatório "Education at a Glance 2017", divulgado ontem pela OCDE e que reúne dados sobre a educação nos 35 países que compõem o bloco, mais parceiros como Brasil e Rússia. O relatório destaca que mais de 50% da população de 25 a 64 anos não havia cursado o ensino médio em 2015, mais que o dobro da média dos países da OCDE, que é de 22%. Além disso, 17% da população de 25 a 64 anos não havia sequer nem completado os anos iniciais do ensino fundamental no Brasil (ante média de 2% da OCDE).

O relatório, por outro lado, destaca um progresso "notável": entre a geração mais nova, de 25 a 34 anos de idade, a parcela que alcançou o ensino médio subiu de 53% em 2010 para 64% em 2015.

De acordo com a pesquisa, cinco anos após o ingresso no ensino médio, 41% dos estudantes brasileiros haviam abandonado a escola sem concluir a etapa de ensino, o que corresponde a quase o dobro dos 21% registrados, em média, nos outros 18 países com dados disponíveis.

Como na maioria dos países membros e parceiros da OCDE, os cursos de ensino superior mais populares no Brasil são os de negócios, administração e direito, que responderam por 37% dos graduados em 2015. O segundo mais popular no país é a pedagogia, que respondeu por 20% dos graduados, o dobro da média da OCDE.

"Além de salários mais baixos e turmas maiores, cada professor no Brasil é responsável por um número comparativamente maior de turmas, o que sugere que eles precisam passar muito do seu tempo lecionando", informa o levantamento da OCDE.

O salário inicial de um professor brasileiro, baseado em qualificações mínimas, é de US$ 13 mil por ano (pouco mais de R$ 3 mil mensais), muito baixo comparado aos US$ 30 mil mínimos da média da OCDE. "Apesar das condições pouco favoráveis, o Brasil consegue atrair jovens para a profissão", diz a pesquisa. A idade média dos professores da educação básica brasileira é 40 anos de idade - na OCDE, 45 anos.

Embora a fatia do PIB que vai para a educação seja maior que a de outros países, o investimento por aluno é baixo. O governo brasileiro investe em educação o equivalente a 5,4% do PIB (do ensino fundamental ao do ensino fundamental à educação superior), mais que a média da OCDE de 4,8%, e que Argentina (4,9%) e Chile (4%).

Por outro lado, o investimento anual por aluno no Brasil é de US$ 5.600 (do ensino fundamental ao superior), ante US$ 10.800 da média da OCDE. O relatório destaca que o gasto por aluno é ainda mais baixo nos anos iniciais da educação: tanto no ensino fundamental quanto no médio, o Brasil investe cerca de US$ 3.800 por aluno; a OCDE gasta US$ 8.700 no ensino fundamental e US$ 10.100 no ensino médio.

A pesquisa diz também que o gasto em educação é mais descentralizado no Brasil na comparação internacional: o governo central responde por só 10% dos fundos, Estados 43% e os municípios, 47%.