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ANO
V - Nº 300 02.SET.2010
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Centrais querem entregar propostas aos candidatos
A Força Sindical e as demais centrais sindicais pretendem entregar a “Agenda da classe trabalhadora” para os (as) candidatos (as) a presidente ainda no início de setembro. Cartas solicitando audiência já foram enviadas a todos os candidatos, porém até agora não houve resposta.
Como os trabalhadores querem ser protagonistas na luta ligada aos interesses dos trabalhadores, as entidades vão propor aos candidatos que aceitem as idéias que constam do projeto de desenvolvimento para o Brasil com soberania e valorização do trabalho.
Manifesto político
Aprovado na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, realizada este ano, em São Paulo, a agenda está dividida em duas partes. A primeira, o manifesto político, mostra a visão estratégica das centrais sindicais.
João Carlos Gonçalves,
o Juruna, secretário-geral
da Força Sindical
Na outra parte estão alinhavadas dezenas de diretrizes de ação reunidas em seis eixos estratégicos. “Na nossa opinião, o candidato (ou candidata) precisa se comprometer com as nossas propostas para receber o apoio do movimento sindical”, avisa o secretário geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna.
Superar desigualdades
“Queremos um desenvolvimento que promova a superação das desigualdades econômicas e sociais, distribua renda e construa um país solidário”, completa Juruna.

Nair Goulart,
presidente da Força Sindical-Bahia
Segundo a presidente da Força Sindical-BA, Nair Goulart, as centrais querem negociar com os candidatos o mais rápido possível. “Estamos convencidos da importância de entregar o documento aos que pleiteiam a Presidência, pois queremos saber a opinião deles sobre nossas demandas”, destaca ela.
Unidade
Elaborado de forma unitária, o documento propõe medidas capazes de promover o crescimento com distribuição de renda; valorizar o trabalho decente; tornar o Estado promotor do desenvolvimento socioeconômico e ambiental; democracia com participação popular; soberania e integração internacional; e direitos sindicais e negociação coletiva.
“Para alcançar estes objetivos, as centrais sindicais e os trabalhadores em geral precisam manter a unidade elegendo candidatos comprometidos com as causas trabalhistas”, acrescenta Epaminondas Lino de Jesus, presidente da Central-DF.
Pressão
Mas depois de eleitos estes políticos (ligados ao movimento popular) precisarão ser pressionados para cumprir o prometido. “É que os conservadores também vão pressioná-los para jogar nossas propostas no lixo”, diz Albegemar Costa, o Gima, presidente da Força-AL.
“Caso contrário, vamos ter dificuldades de aprovar nossas bandeiras, como ocorreu com a redução da jornada para 40 horas, sem o corte nos salários”, lembra o presidente da Central-SP, Danilo Pereira da Silva. “Até agora a proposta de emenda constitucional não foi posta sequer em votação”, afirma.
Salário mínimo
Os trabalhadores têm outros péssimos exemplos de propostas que não avançaram na Câmara: os políticos até agora não votaram o projeto de lei que trata da recuperação do valor do salário mínimo, cujo acordo foi firmado pelas centrais com o governo.
Da mesma forma, também está esquecida em alguma gaveta do Congresso, a Convenção 158 da OIT, que impede a demissão imotivada do trabalhador.
“Para aprovar estas e outras propostas, o Congresso terá de ser constituído de uma maioria de parlamentares comprometidos com o povo brasileiro, e os políticos terão de estar sob vigilância dos trabalhadores”, propõe Sérgio Butka, presidente da Força Sindical-PR. |
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Miguel Torres, presidente em exercício da Força Sindical
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Reivindicar um valor
maior para o mínimo
Diante da proposta de salário mínimo no valor de R$ 538,15 para 2011, conforme consta do orçamento federal já entregue ao Congresso Nacional, defendemos que a correção seja feita com base em 100% do PIB de 2010 mais a inflação do período.
Apesar de o governo relatar que a correção do salário mínimo, em 2011, se dará pela inflação e pelo crescimento do PIB, como acordado com as centrais sindicais, queremos renegociar o índice porque o PIB não cresceu em 2009, por conta da crise financeira internacional.
Estamos convencidos que nada impede que o novo governo, que será eleito no mês de outubro, negocie com as centrais e eleve este valor. Nos últimos anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu aumentos um pouco acima do proposto no orçamento federal.
Por isso, vamos pressionar o governo pelo PIB cheio deste ano mais a inflação, assim como reivindicamos que as aposentadorias com valores acima do piso sejam corrigidas por 80% do PIB mais a inflação, como ocorreu este ano.
Vale destacar que o crescimento do mercado interno durante a crise do final de 2008 ocorreu, principalmente, por conta do aumento do salário mínimo nesse período, que injetou bilhões na economia.
Um reajuste decente para o salário mínimo é uma forma de distribuir renda e fortalecer o mercado interno, aumentando o consumo, a produção e, consequentemente, gerando novos postos de trabalho. Ressaltamos que a política de recuperação do mínimo também ajuda a aumentar o valor do piso de diversas categorias profissionais.
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Clementino Vieira, presidente da CNTM (Confederação Nacional
dos Trabalhadores Metalúrgicos)
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Quase todas as categorias
fecham acordos com
aumento real de salário
Os trabalhadores brasileiros conquistaram bons acordos coletivos de janeiro a junho deste ano, segundo pesquisa divulgada pelo Dieese. Nada menos que 97% de 290 categorias que tiveram suas campanhas salariais acompanhadas pelos técnicos do Dieese conquistaram um reajuste igual ou superior à inflação (INPC).
Além disso, os reajustes obtidos foram melhores do que os ganhos salariais negociados em 2008 (ano de crescimento econômico) e em 2009 (ano de plena crise, em que o país não cresceu). O resultado reflete o bom desempenho da economia, redução do desemprego e maior oferta de postos de trabalho, o que favorece a luta dos sindicatos e trabalhadores.
Taxa alta
A taxa de 97% é mais alta que a verificada nos anos de 2008 e 2009, quando 87% e 93% dos grupos de trabalhadores tiveram sucessos semelhantes. O instituto leva em conta o INPC, que reflete o custo de vida das famílias com renda mensal até seis salários mínimos e é usado como índice oficial da inflação.
Diz o Dieese que uma parcela de 88% dos grupos de trabalhadores monitorados conseguiu obter reajustes acima da inflação, sendo que boa parte (40% desses grupos) obteve um ganho salarial de até 1% sobre a inflação do período. Uma minoria (5% das categorias) conseguiu reajustes com ganho de 5% (ou mais) sobre o INPC medido para o período.
Os números indicam um avanço positivo do movimento sindical. No ano passado, em função da crise, somente 1,7% das categorias havia conseguido um ganho real (acima da inflação) de 5% ou mais em suas negociações salariais.
Desempenho da economia
Uma parcela de 3,1% dos grupos de trabalhadores negociou reajustes abaixo da inflação, no primeiro semestre de 2010. Em 2009, essa parcela foi calculada em 7,2%. 
Antônio Porcino Sobrinho,
presidente da Fenepospetro
Para o presidente da Federação Nacional dos Frentistas (Fenepospetro), Antônio Porcino Sobrinho, o cenário mostra que as ações dos sindicatos e das centrais sindicais têm sido muito positivas para alcançar estes importantes acordos para os trabalhadores. “O crescimento econômico também ajudou para se firmar os acordos coletivos”, avalia Porcino.
Dica
de Leitura
Desenvolvimento: Ideias para um projeto Nacional
Organizadores: Aloísio Sérgio Barroso e Renildo Souza
A problemática do desenvolvimento econômico-social readquiriu excepcional importância desde a ascensão tempestuosa do neoliberalismo. Seguramente, importa acurada reflexão para rever o significado das contribuições – em seus contextos – de Smith, Marx, Hobson, Hilferding, Lênin e, mais adiante, de Schumpeter, Myrdal, Kalecki, Keynes, Dobb e Lange, ficando em alguns exemplos. Essa releitura teórica é necessária para não esquecermos quantas misérias foram despejadas sobre a humanidade nas últimas décadas. Para acusarmos o constructo duma furiosa e arrivista teoria econômica inspirada em manuscritos impostores.
Mais Informações:
www.anitagaribaldi.com.br |
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Na luta por salários mais fortes
Comparados aos crescimentos da produtividade e da produção, os salários dos trabalhadores têm crescido muito lentamente. O IBGE, por exemplo, divulgou recentemente que entre julho de 2009 e o mesmo mês de 2010, o rendimento médio real dos assalariados cresceu 5,1% no ano, chegando a R$ 1.452,50, abaixo de três salários mínimos.
Os trabalhadores informais foram os que obtiveram o maior ganho, alcançando 16,9% em um ano, o que resultou numa renda média de R$ 1.062,20. Já os empregados com carteira assinada conquistaram aumento de apenas 2,2% no período.
Por conta deste cenário, em que a recuperação salarial ocorre devagar, os dirigentes sindicais que coordenam a Campanha Salarial Unificada 2010 da categoria metalúrgica no Estado de São Paulo elegeram o significativo slogan: “Economia Forte, Produção Forte, Salário Forte”.
É fundamental, então, lutar por um reajuste salarial muito mais expressivo, com um aumento real que permita diminuir a defasagem que há entre os fortes ganhos da empresas e os salários das trabalhadoras e dos trabalhadores metalúrgicos.
A CNTM apoia os nossos sindicatos filiados e espera que nas negociações, que estão em andamento, as entidades consigam superar os obstáculos que os grupos patronais costumam colocar no caminho da conquista salarial. É crucial, portanto, manter a categoria informada sobre a campanha e mobilizada para, se for preciso, intensificar a luta!
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Contag é favorável ao limite de terra para estrangeiros
Em nota recente a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) classifica o parecer da AGU que limita a compra de terras brasileiras por estrangeiros de "importante". A Contag critica, entretanto, o fato do parecer não prever a revisão das compras e dos investimentos realizados antes mesmo da sua emissão, e defende que o limite seja estabelecido também para brasileiros, fortalecendo a campanha do Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra.
Analistas projetam em 7,09% crescimento da economia
Estimativa de analistas do mercado financeiro para o crescimento da economia neste ano oscilou de 7,10% para 7,09%, segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC). Há quatro semanas, a projeção para a expansão do PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país, era de 7,20%. Para 2011, a projeção de 4,50% é mantida há 38 semanas. A expectativa do boletim Focus dá conta que a estimativa do crescimento industrial subiu para 11,47%, em 2010.
Incentivos fiscais para quem contratar jovens
Empresas que contratarem trabalhadores jovens, com idade entre 18 e 24 anos, ou pessoas com mais de 50 anos poderão ter desconto no Imposto de Renda devido. Dois projetos que tratam da concessão destes incentivos serão analisados pela Comissão de Assuntos Econômicos. O primeiro dispõe sobre incentivos fiscais a empresas privadas que contratem trabalhadores de faixa etária a partir de 50 anos. O segundo institui incentivo fiscal à contratação de jovens para o primeiro emprego em microempresas e empresas de pequeno porte inscritas no Simples. |
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