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ANO
IV - Nº 272 15.DEZ.2009
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Ação de trabalhador impede piora do PIB
A crise mundial, a manutenção da taxa Selic em patamares bastante altos e a revisão dos dados dos PIB de trimestres anteriores foram os grandes responsáveis pelo “pibinho” de 1,3% verificado no terceiro trimestre deste ano em relação aos três meses imediatamente anteriores (abril/maio/junho).
Na opinião da diretoria da Força Sindical, o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de julho a setembro só não foi pior por causa da pressão dos trabalhadores e empresários sobre o governo federal.
Redução do impacto
da crise
Entre outras exigências, os trabalhadores reivindicavam a adoção imediata de medidas econômicas capazes de reduzir o impacto da crise financeira internacional sobre a economia, produção, empregos e salários.
João Carlos Gonçalves,
el Juruna, secretario general
de la Fuerza Sindical
Com isso, foram aprovadas a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e a ampliação das parcelas do seguro-desemprego. Além disso, o secretário geral da Central, João Carlos Gonçalves, o Juruna, destacou que a unidade e as ações das centrais sindicais foram para reduzir os impactos da crise sobre o Brasil.
“A política de recuperação do salário mínimo, resultado de um acordo firmado entre o movimento sindical e o presidente Lula, aumentou a renda e, consequentemente o consumo popular”, frisa Juruna, ao acrescentar que a manutenção do consumo reduziu a rapidez com que a economia se desacelerava.
Consumo das famílias
é odestaque do PIB
Apesar do crescimento inexpressivo do PIB do terceiro trimestre, o consumo das famílias se manteve alto e os empresários voltaram a investir em linhas de produção, em frotas de veículos, em instalações e em outros empreendimentos, segundo dados do IBGE.
O consumo das famílias — que desde o início da crise evitou quedas maiores do PIB — cresceu 2% na comparação com o segundo trimestre. Foi impulsionado por expansão da massa salarial, retomada do crédito e desoneração de veículos e eletrodomésticos.
Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, o consumo das famílias teve alta de 3,9%. Nessa comparação, foi o principal destaque do PIB.
Comerciário no
combate à recessão
Na visão do presidente da Fecomerciários do Estado de São Paulo, Luiz Carlos Motta, a redução do IPI sobre manterias de construção e linha branca mais a oferta de crédito foram decisivos para a retomada do crescimento. “O comerciário atuou na linha de frente do combate à crise”, acredita.
Em relação aos investimentos produtivos, o IBGE detectou crescimento de 6,5% do segundo para o terceiro trimestre deste ano nos cálculos livres de influências sazonais. Foram também importantes na composição do PIB, graças ao avanço da produção doméstica de máquinas e equipamentos — já que as importações desses bens ainda estão lentas.
Albegemar Costa, o Gima,
presidente da Força Sindical-AL
Baixar juros
“Mas estamos convencidos que o governo precisa urgentemente baixar os juros para acelerar o crescimento”, aponta a presidente do Sindicato das Costureiras de São Paulo, Eunice Cabral. “Além disso, é necessário aumentar os investimentos na produção, aumentar o salário e reduzir a jornada de trabalho sem redução salarial”, acrescenta o presidente da Força Sindical-AL Albegemar Costa, o Gima.
“Também queremos que os investimentos sejam direcionados para aumentar a capacidade instalada das empresas e assim evitar a falta de produtos”, lembra o presidente da Força-RS, Cláudio Guimarães Silva, o Janta.
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Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical
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Vamos fazer greve para reduzir a jornada semanal
A unidade e a determinação das centrais sindicais (Força Sindical, CTB, CUT, NCST, UGT, CGTB) vão puxar novamente a luta pela redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas, sem redução salarial.
Acreditamos que algumas categorias de trabalhadores, as mais organizadas e com mais tradição de lutas, vão comandar o processo, como historicamente ocorre na luta sindical e que culminou com a diminuição gradativa do tempo de trabalho de 48 horas para 44 horas semanais.
Mas precisamos aumentar muito a pressão para que a Câmara dos Deputados coloque a PEC 231/95, que trata do tempo de trabalho, em votação. Devemos pegar fábrica por fábrica, empresa por empresa, e fazer uma onda de greves para depois negociar a redução da jornada.
Além disso, os trabalhadores têm que promover passeatas, manifestações e atos públicos para ganhar a população para a sua proposta e deixar os políticos preocupados com a mobilização sindical. É que, como todos sabemos, os parlamentares se declaram a favor do benefício, mas alguns trabalham nos bastidores para impedir que o projeto vá a votação em plenário.
É importante destacar ainda que um terço do Senado e quase a metade dos deputados federais são empresários, enquanto os trabalhadores têm 53 parlamentares na Câmara e quase ninguém no Senado.
Portanto, companheiras e companheiros, se quisermos alcançar os objetivos propostos, teremos de entrar 2010 nas ruas fazendo pressão, parando empresas e fábricas e deflagrando manifestações de protesto. |
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Carlos Alberto de Freitas, presidente da Fetercesp
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Metalúrgicas querem cursos
de formação política e sindical
As mulheres metalúrgicas reivindicam a realização de cursos de formação política, sindical e de qualificação profissional. Além disso, elas querem da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) a promoção de seminários e palestras para superação do medo e do preconceito, assim como a ampliação das cláusulas sobre gênero e contra a discriminação racial nas convenções coletivas.
As propostas foram tiradas durante a 1ª Conferência Nacional da Mulher Metalúrgica, realizada de 10 a 12 de dezembro, na Praia Grande, e promovida pela CNTM. Ficou claro nos debates que as mulheres só vão avançar na luta se houver unidade, perseverança e também o apoio da sociedade na luta.
“Por isso, os cursos de formação política e sindical são importantes, pois sem política não há sindicato, e sem sindicato não há política”, esclarece Gisleide Hessel de Camargo Alves, dos metalúrgicos de Tatuí, interior de São Paulo.
Irani de Oliveira Nunes, do Amapá, explicou que os cursos de qualificação profissional são importantes porque sem formação a pessoa só arruma emprego como ajudante e com salário muito baixo. “Quem tem qualificação já ingressa com salário melhor”, diz ela.
Para Mônica Veloso, vice-presidente da CNTM, as mulheres metalúrgicas se tornaram visíveis por causa da Conferência. “Importante é identificar quem nós somos e multiplicar o que aprendemos aqui”, ressalta.
“Agradeço aos sindicatos que entenderam a importância do evento e enviaram as trabalhadoras. É importante que as entidades entendam que a CNTM não quer e não vai interferir em suas gestões ao organizar os eventos, mas contribuir com os sindicatos”, declarou Clementino Vieira, presidente da CNTM.
Vilma Araújo Costa, diretora da Confederação, considerou excelente o evento e entende que é preciso organizar as mulheres em rede para manter mais contatos, trocar mais experiências. Maria Rosangela Lopes, também diretora da CNTM, afirmou que a Conferência representou um marco na trajetória das trabalhadoras.
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Vamos brigar por uma
melhor condição social
A nossa diretoria assumiu a direção da Fetercesp em julho com o projeto de atuar em duas frentes de luta, por estarmos convencidos de ser esta a concepção correta de um sindicalismo realmente comprometido com os interesses e expectativas dos trabalhadores.
Vamos intensificar ainda mais a participação da categoria na briga pela redução da jornada de trabalho para 40 horas por semana com a manutenção dos salários.
Os trabalhadores nas empresas de refeições precisam engrossar ainda mais estas manifestações comandadas pelas centrais sindicais e pelo companheiro Paulinho, presidente da Força Sindical.
É que, ao reduzir o tempo de trabalho, o empregado poderá estudar, fazer cursos de qualificação, ter mais horas para o lazer e para o convívio familiar. Portanto, esta bandeira histórica do movimento sindical precisa de ser aprovada rapidamente.
Além desta luta e junto com os 12 sindicatos filiados, a diretoria da Federação vai mobilizar os cerca de 80 mil trabalhadores do Estado para as campanhas salariais de 2010.
Nas datas-base de abril e julho, a pauta de reivindicações vai incluir a reposição da inflação mais aumento real de salário, renovação da convenção coletiva e a ampliação de benefícios como ocorreu com a cesta básica e o convênio médico já conquistados.
Os trabalhadores que atuam nas empresas que fornecem merenda escolar para as prefeituras terão uma atenção especial da Fetercesp. Estes companheiros e companheiras precisam ter maiores salários e uma melhor condição social. E, juntos, vamos lutar por estes objetivos. Um excelente Natal e 2010 com grandes conquistas !
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DISTRIBUIÇÃO DE SINDICATOS POR CENTRAL SINDICAL |
TOTAL DE SINDICATOS VÁLIDOS |
Central Sindical |
12/01/2009 |
15/12/09 |
Variação (%) |
5.119 |
FORÇA SINDICAL |
919 |
1.243 |
35,26% |
24,28% |
CUT |
1.640 |
1.697 |
3,48% |
33,15% |
Nova Central |
600 |
703 |
17,17% |
13,73% |
UGT |
525 |
650 |
23,81% |
12,70% |
CTB |
239 |
390 |
63,18% |
7,62% |
CGTB |
232 |
265 |
14,22% |
5,18% |
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) |
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Metalúrgicas são 15% da categoria
As mulheres metalúrgicas representam 15% da categoria nos sindicatos filiados à Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) e à Força Sindical. São 346, 3 mil trabalhadoras ante 1, 7 milhão de homens. Conforme estudo do Dieese, aumentou o número de homens e mulheres metalúrgicos no Brasil, de acordo com dados 1999 e 2008. Enquanto em 1999 havia 1,02 milhão de homens, em 2008 este número subiu para 1,76 milhão, o que representa crescimento de 72%. Quanto às mulheres, eram 176, 68 mil trabalhadoras, em 2008, e hoje chegou a 346,38 mil — uma variação de 96%.
Cresce o nível de escolaridade entre as mulheres
O número de metalúrgicas com ensino médio completo cresceu 242%, seguindo aumento de 157% de trabalhadoras com ensino superior completo e 140% com ensino superior incompleto. A boa notícia é que o número de analfabetas caiu de 1.119 registradas no ano de 1999 para 390 contabilizadas em 2008, marcando uma queda de 0,65%. Aquelas com até 5° grau incompleto do Ensino Fundamental caiu para 0,41%; com até 5° grau completo do Ensino Fundamental teve redução de 0,42% e do 6° ao 9° ano incompleto do Ensino Fundamental também caiu 0,29%.
Quem estuda ganha mais
Apresentaram ganhos reais de salário as mulheres que trabalham na metalúrgica básica (14,6%), fabricação de outros equipamentos de transporte (11,6%) e fabricação de equipamentos de instrumentação para uso médico hospitalar (6,9%).O rendimento médio nominal aumentou 96,6% passando de R$ 709,66 (ano de 1999) para R$ 1.394,85 (em 2008). A variação dos rendimentos por faixa de escolaridade mostra que as que têm mais escolaridade ganham mais.
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