Qui, 2 Set 2010

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Sant'Ana do Livramento (RS): Painéis movimentam primeiro dia do Bioma Pampa

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Iniciou nesta quinta-feira, dia 12, no Centro de Convenções do Jandaia Hotel, em Sant’Ana do Livramento, o primeiro dia de debates sobre o Bioma Pampa.
O evento tem como foco discutir a geração de emprego e renda na região e debater sobre os Recursos Hídricos, Geração de Energia, Emprego e Renda, Capital Social-RS Biodiversidade e Integração Latino Americana, além da prática da convivência harmoniosa na Fronteira da Paz, representada pelas cidades Sant’Ana do Livramento e Riveira.

O tema Capital Social no Pampa encerrou o segundo dia de debates da 3º Conferência Internacional do Bioma Pampa. O painel teve como palestrante Elisandro Rooth do Canto, assessor da Prefeitura de Santa Maria, sociólogo e cientista político. Canto destacou ser necessário utilizar os recursos teóricos e heurísticos do Capital Social para compreender as relações entre sociedade e Estado no Rio Grande do Sul em torno da agenda fiscal. "As interações entre as dimensões influencia a confiança interpessoal, ou seja, o grau de cooperação em ações coletivas e a confiança política, legitimidade do sistema. A maior dimensão do bonding, mais estreito a dimensão bridging; a relação dos grupos com o Estado tende a ser vertical, difusa e genérica", comentou.

Segundo ele, a "síndrome de Grenal" acontece quando dois grupos com os mesmo interesses se chocam. "A perspectiva para o crescimento é que a sociedade unida promova debates para exercer a cidadania que se tem direito. Somente assim, vamos conseguir cobrar os governantes com responsabilidade", ressaltou.

Cláudio Janta, presidente da Força Sindical, também se manifestou sobre o assunto. "Os governantes do norte e nordeste do país independente dos seus clubes de futebol se unem e buscam apoio junto ao Estado. Nós aqui, comemoramos uma guerra que já perdemos, como a saída da Ford do Estado", comentou. Segundo o presidente da Central é preciso reivindicar aos nossos governantes que eles façam um pacto para promover o desenvolvimento. "É o momento para nós discutirmos uma nova cultura política no Estado. Precisamos debater estes assuntos em escolas, universidades, portas de fábricas, exigir de forma unida e cooperada mais compromisso dos nossos políticos", encerrou Cláudio Janta.

ÁGUA - O primeiro painel do dia abordou o tema "a água superficial e subterrânea no Bioma Pampa", com os painelistas Rejane Beatriz de Abreu e Silva, da Sema, e Henrique Kotzian, Consultor do DIB. Segundo Kotzian, o mais importante sobre o tema é o Programa Pró-Uruguai, que está estruturado nas regiões do Bioma propondo formas de desenvolvimento sustentável. "As medidas aumentaram a geração de emprego e renda e redução da degradação ambiental", destacou. O projeto deve estar em vigor entre fevereiro e março de 2010.

Geração de Emprego e Renda no Pampa foi o tema do segundo painel que contou com as participações de Ricardo Franzoi, supervisor regional do DIEESE, e Daniela Sandi, técnica do DIEESE na subseção da Força Sindical-RS e Sindicato dos Comerciários de Porto Alegre. Segundo o levantamento do órgão, em 2008, a área do Bioma Pampa – que corresponde a 169 municípios-, possuía cerca de 7,1 milhões de habitantes. Desse total, 5,5 milhões de pessoas tinham 15 anos ou mais de idade e formavam a chamada população ativa - 77% da população total. Segundo dados apresentados com base no Ministério do Trabalho e Emprego – RAIS, em 2008, 30% da população em idade ativa encontrava-se empregada no mercado de trabalho formal.

Segundo Daniela Sandi, nos últimos 20 anos há uma perda de participação do emprego no Bioma Pampa em relação ao Rio Grande do Sul – em 1988 era de 73,2% e em 2008 a participação caiu para 65,9%. "As maiores dificuldades de emprego e renda estão nos municípios situados na Fronteira Oeste e metade sul", destacou a técnica do DIEESE.

Outro desafio, segundo os painelistas, é inibir a grande rotatividade no emprego que acaba prejudicando os ganhos salariais conquistados pelos trabalhadores.

A tarde de debates iniciou com o painel sobre Geração e Transmissão de Energia no Pampa. O palestrante Cláudio Marques Ribeiro, engenheiro agrônomo da Emater do município de Bagé e doutor em Desenvolvimento Rural, falou sobre o desenvolvimento e como ele está inserido no Pampa. O painelista fez uma reflexão do desenvolvimento desde a década de 40 até os dias de hoje. Segundo ele, entre os anos 40 e 50, desenvolvimento era igual a crescimento econômico – baseado na industrialização e urbanização.

Ribeiro disse que nos dias atuais os países em desenvolvimento expõem o esgotamento do modelo. "A crise de 2008 expõe as fragilidades econômicas com repercussões sociais do modelo de desenvolvimento", destacou. Segundo o engenheiro, o desenvolvimento está dividido em três dimensões: crescimento econômico, equidade e ambiental, tendo como pontos fracos a estrutura produtiva baseada na pecuária e grãos, exportação de matéria-prima e importação de alimentos, diminuição das oportunidades de assalariamento rural e poucas oportunidades de trabalho urbano. Em âmbito social estão o alto percentual de populações urbanas, população rural rarefeita, municípios menores com alta porcentagem de população rural, alto percentual de aposentados, cultura individualista e pouco associativa. Em relação as questões ambientais estão as limitações de solos para culturas anuais, alta heterogeneidade ambiental e o fato de ser uma região de transição climática.