Os ferroviários aposentados da Ferrovia Paulista S/A (ex-FEPASA) realizaram esta tarde uma manifestação e lotaram com mais de 600 pessoas o auditório Franco Montoro, na Assembléia Legislativa.
A situação dos ferroviários e de suas 48.000 famílias é dramática:
- não recebem reajuste salarial desde 1999;
- estão aguardando até hoje um abono salarial de R$ 2.400 que data de 1999 e cuja decisão foi do Tribunal Superior do Trabalho;
- as viúvas dos aposentados falecidos vêem todo mês 20% da pensão desaparecer por decisão do Governo Estadual (contrariando decisão judicial em última instância que já proibiu essa cobrança);
- não receberam dois dissídios coletivos (9,44%, em 2002, e 10%, em 2003), além de um acordo coletivo de 8,72% deste ano;
- e aqueles aposentados que foram admitidos entre 1971 e 1974 estão tendo seus salários cortados pelo Governo Estadual.
De acordo com a Lei Estadual 9.343/96, todo ferroviário paulista aposentado tem direito a receber os mesmos reajustes e acordos dos funcionários da ativa. Ou seja, a lei está sendo desrespeitada pelo próprio Governo Estadual.
R$ 250 milhões
De acordo com o secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias Paulistas, José Antonio Matias, o Governo Estadual ainda precisa pagar às viúvas passivos no valor de R$ 250 milhões.
"A média de idade do ferroviário aposentado é de 68 anos. Se eles forem exigir seus direitos na Justiça, podem ficar 10 anos esperando. Muitos nem chegarão a essa idade", explica Matias.
O secretário-geral do sindicato explica ainda que essas reivindicações são muito importantes para a família dos ferroviários, "porque muitos podem ajudar seus filhos que estão passando necessidade neste momento difícil por que passa nosso país".