Leone Farias
Do Diário do Grande ABC
"Empresas do setor plástico no Grande ABC já estão alavancando resultados com base no projeto de APL (Arranjo Produtivo Local), articulado pela Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC. Concretizadas em termos de intercâmbio comercial e tecnológico, as ações antecipam os passos do programa, criado para fazer o setor plástico do Grande ABC deixar de ser um aglomerado de indústrias e passar a ser um arranjo produtivo, que pressupõe a cooperação entre pequenas companhias de um mesmo setor e a interação para atividades conjuntas que possibilitem ganhos de competitividade no mercado.
No projeto, que é realizado pela Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC em parceria com o Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), a escolha do segmento não ocorreu por acaso. A região congrega hoje em torno de 500 empresas formais e mais de 20 mil empregos diretos, segundo estimativa do Observatório Econômico de Santo André.
Há três meses reunidos, os 18 pequenos empresários do setor que integram o programa da Agência têm trocado experiências. Em alguns casos, há efetivação de negócios. O diretor da Qualyplas, de Diadema, Valdir de Oliveira, conta que tinha muitas encomendas para cumprir e repassou trabalhos para uma empresa participante do grupo. Outra integrante possuía um pedido para fabricar tipos específicos de peças, para as quais a Qualyplas possuía disponibilidade para fazer. “Pegamos o serviço. Uma mão lava a outra. Percebemos que empresas que eram concorrentes podem ser parceiras”, disse Oliveira.
O executivo afirmou ainda que a empresa, que possui 60 funcionários e produz peças plásticas para a área automobilística, potes alimentícios, bicos de mangueira de jardim, entre outros itens, trocou recentemente maquinários por outros mais modernos, que requerem menor consumo de energia. “Levei a idéia para outros empresários do grupo, que devem trocar também os equipamentos. A energia subiu mais de 20% este ano”, acrescentou o empresário, que projeta que será possível ter uma expansão em vendas de 10% neste ano.
Um dos representantes do grupo, Nelson Bellotti Júnior, diretor da companhia Polibel, acrescentou que há um intercâmbio que vai além do que está no projeto. Passaram por um workshop sobre planejamento estratégico e terão um diagnóstico do chão de fábrica, que será feito pelo Senai Mario Amato e a FEI (Fundação Educacional Inaciana), a partir desta semana – passos que estão dentro da programação – mas Bellotti Júnior afirmou que, por iniciativa própria, os empresários se reúnem semanalmente e uma das idéias que tiveram foi desenvolver uma cartilha com informações sobre os APLs existentes no país. Também repassam nos encontros os pontos fortes de cada um dos integrantes. “A Polibel tem bom sistema de controle de custos e fluxos de caixa e passamos isso”, disse o executivo.
Levantamento feito pela Umesp (Universidade Metodista de São Paulo) no ano passado e que orientou os passos do projeto do APL apontou os principais problemas entre os pequenos empresários do setor: falta de planejamento estratégico, dificuldades no gerenciamento global e a necessidade de melhorias de produtos e de qualificação dos funcionários.
“A partir desse levantamento, os empresários apontaram que gostariam de ter um diagnóstico do chão de fábrica”, disse o assessor da Agência, Ciomar Kobayashi. Bellotti Júnior acrescenta que o diagnóstico vai permitir saber as matérias-primas adquiridas e facilitar uma negociação conjunta dos insumos.
Associação – Está nos planos dos pequenos empresários do segmento formalizar em breve uma associação que os represente, para possibilitar ganhos de escala para negociações conjuntas de compras de matéria-prima, para viabilizar projetos de financiamento no BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) e articular o ingresso no mercado externo.
“Por meio de uma associação podemos levantar recursos no BNDES”, disse Bellotti. Há 16 anos no mercado, a fabricante de cordas de fibra sintética Polibel deverá crescer 15% em faturamento em 2004. A expectativa do representante e de outros integrantes é que para 2005 o trabalho conjunto alavanque ainda mais os resultados.
Sai acordo para centro de referência do setor plástico na região
Leone Farias
Do Diário do Grande ABC
A Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, a Fundação Santo André e o IPT (Instituto de Pesquisa Tecnológica do Estado de São Paulo) assinaram na última sexta-feira o convênio para a implementação do Ciap (Centro de Informação e Apoio ao Setor Plástico). O acordo foi fechado após a aprovação da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, para apoio à criação do centro. Depois de um termo de cooperação firmado entre as partes em junho, aguardava-se o aval do órgão federal.
A Finep liberou R$ 257 mil em recursos para o projeto, que visa ao estabelecimento de um banco de dados sobre o segmento industrial, que vai incluir cotações de matérias-primas e maquinários, entre outras informações, como os mais recentes processos e produtos no Brasil e no mundo. O Ciap funcionará dentro da Fundação Santo André.
“Com o recurso disponível, vamos na próxima semana contratar uma equipe para em breve termos uma sala de atendimento aos empresários”, disse o coordenador do Observatório Econômico de Santo André (parceria entre a Prefeitura de Santo André e a Fundação Santo André), Marcos Cesar Lopes Barros. A meta é inaugurar os serviços no primeiro trimestre de 2005.
O secretário executivo da Agência, Paulo Eugênio Pereira Júnior, afirmou que se trata de um primeiro passo. “A idéia é caminhar para termos depois um centro de apoio e difusão tecnológica, que vai requisitar mais investimentos”, disse. Um centro de difusão de tecnologia, que exigiria investimento de R$ 1 milhão, teria um laboratório para as micro e pequenas empresas testarem produtos. “O projeto que havíamos apresentado na Finep era para isso, mas tivemos de diminuir em função dos recursos disponíveis”.
Petroquímico – A ampliação da Petroquímica União, de Santo André, e outros projetos de investimentos no Pólo Petroquímico de Capuava que entrarão em operação até 2006 deverão trazer um impulso à cadeia petroquímica no Grande ABC. Projeção da Unipar, controladora da PqU, é de que a expansão poderá representar geração de 10 mil empregos nas indústrias de transformação de plástico da região.
Para o diretor do escritório regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Santo André e diretor da empresa transformadora de plástico Resiplastic, José Jaime Salgueiro, a localização do Pólo traz vantagens para as empresas do setor plástico, seja pela proximidade dos laboratórios de produtores de resina, que permite desenvolvimentos locais, seja pelo menor custo do frete. “Além disso, tendo mais oferta vamos poder negociar melhor as matérias-primas”, disse.
Moldes – A Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mauá tem plano de atrair a iniciativa privada para viabilizar um pólo de moldes no município, em área próxima a uma das futuras alças do trecho Sul do Rodoanel. O molde, a partir do qual se fabrica uma peça plástica, é um item vital para a indústria de transformação do plástico.
“Tivemos êxito em uma operação urbana, que resultou em um loteamento industrial de mais 100 mil m² para a municipalidade. O segundo passo é discutir com as indústrias de moldes para formular um modelo de pólo”, disse o secretário, Claudio Scalli. Em Mauá, há mais de 110 empresas de plástico."