Paulista participou de seminário sobre resultados de um projeto de tecnologia para professores e estudantes de 57 escolas estaduais do Rio
Muitos jovens nunca usaram um computadorCrédito: Divulgação

Entrevista de Elaine Pinheiro, CEO da Ong Recode para o jornal O Globo

“Trabalho há sete anos na Ong Recode depois de muito tempo atuando na iniciativa privada. Eu queria que minha experiência como executiva estivesse a serviço do protagonismo juvenil e das mudanças contemporâneas que estamos vivendo. Quero ter o meu papel no Brasil que espero ver lá na frente.”

Conte algo que não sei.
Precisamos entender que não adianta ter tablets na sala de aula se eles tiverem a mesma função que o quadro negro tinha há dois seculos atrás. Se o aluno ficar assistindo o tablet, o que mudou? Precisamos criar essa consciência de que por trás da tecnologia tem um jeito novo de fazer as coisas, de convidar aquele jovem, aquele protagonista, que vai usar a tecnologia para buscar soluções.

E quais os desafios de ensinar tecnologias como a programação, por exemplo?
A Recode oferece cursos gratuitos de introdução à programação para jovens em situação de vulnerabilidade. Acho que o maior desafio é a questão da lógica, que não é um conteúdo bem abordado nas escolas públicas. Temos um gargalo muito grande e precisamos trabalhar a questão das exatas. Muitos países fizeram esse movimento em relação à ciência, tecnologia, engenharia, matemática e esse pensamento computacional. Precisamos dar atenção para isso aqui no Brasil.

Quais as consequências de não melhorar o ensino dessas disciplinas?
O nosso gap de mão de obra na área de tecnologia é fenomenal. Temos as vagas, mas não temos os profissionais. Tem toda uma parte de economia criativa, por exemplo, que precisa ser explorada e profissionalizada. A tecnologia pode ajudar nisso, e o jovem preza muito essa área. Precisamos apresentar para as novas gerações toda a riqueza e as novas formas de trabalhar viabilizadas pela tecnologia. Eles têm que reprogramar a percepção de mundo, de identidade e de mercado de trabalho.

O que precisa mudar na escola brasileira?
Não vou nem falar de infraestrutura, acho que a questão está na mobilidade. Só que para despertar isso no aluno, ele precisa ter o espaço do centro da sala. O professor não é mais quem detém o conhecimento, ele passa a ser um apoiador do protagonismo juvenil. A escola do futuro vai ser um espaço de troca de saberes, de convivência, mas sem hierarquia.

Como a Recode atua nesse sentido?
O nosso papel é de conectar os jovens com a oportunidade. A tecnologia, naturalmente, já pode levar o jovem para um lugar de destaque, mas temos que nutrir o protagonismo juvenil, que permite alavancar a atuação do jovem no mundo de hoje. E isso é colocar o jovem em rede, é atribuir papéis diferentes para ele. A ideia é que ele seja um solucionador de problemas. Não ensinamos para o jovem como “prototipar” um aplicativo, começamos fazendo uma pergunta: “ Quais os problemas você tem hoje na sua escola, na sua família, no seu bairro?”. A hora que ele “prototipa” o aplicativo, o jovem está também com uma conexão com o problema que ele vive, e passa a ser mais consciente da produção dele e da autoria.

E qual o retorno dos jovens?
Hoje a gente tem 5% de evasão entre os “nem-nem”, que não são um público fácil. Muitos trazem desconhecimento, falam que não tinham noção dos tipos de trabalho que existem na área. A tecnologia no Brasil é muito associada às redes sociais. Muitos jovens nunca usaram um computador e não sabem fazer login porque só usaram o celular. A hora que eles entendem o que é um computador e o que podem fazer com a máquina, ampliam a própria visão.

 

Muitos jovens nunca usaram um computadorCrédito: Divulgação

Entrevista de Elaine Pinheiro, CEO da Ong Recode para o jornal O Globo

“Trabalho há sete anos na Ong Recode depois de muito tempo atuando na iniciativa privada. Eu queria que minha experiência como executiva estivesse a serviço do protagonismo juvenil e das mudanças contemporâneas que estamos vivendo. Quero ter o meu papel no Brasil que espero ver lá na frente.”

Conte algo que não sei.
Precisamos entender que não adianta ter tablets na sala de aula se eles tiverem a mesma função que o quadro negro tinha há dois seculos atrás. Se o aluno ficar assistindo o tablet, o que mudou? Precisamos criar essa consciência de que por trás da tecnologia tem um jeito novo de fazer as coisas, de convidar aquele jovem, aquele protagonista, que vai usar a tecnologia para buscar soluções.

E quais os desafios de ensinar tecnologias como a programação, por exemplo?
A Recode oferece cursos gratuitos de introdução à programação para jovens em situação de vulnerabilidade. Acho que o maior desafio é a questão da lógica, que não é um conteúdo bem abordado nas escolas públicas. Temos um gargalo muito grande e precisamos trabalhar a questão das exatas. Muitos países fizeram esse movimento em relação à ciência, tecnologia, engenharia, matemática e esse pensamento computacional. Precisamos dar atenção para isso aqui no Brasil.

Quais as consequências de não melhorar o ensino dessas disciplinas?
O nosso gap de mão de obra na área de tecnologia é fenomenal. Temos as vagas, mas não temos os profissionais. Tem toda uma parte de economia criativa, por exemplo, que precisa ser explorada e profissionalizada. A tecnologia pode ajudar nisso, e o jovem preza muito essa área. Precisamos apresentar para as novas gerações toda a riqueza e as novas formas de trabalhar viabilizadas pela tecnologia. Eles têm que reprogramar a percepção de mundo, de identidade e de mercado de trabalho.

O que precisa mudar na escola brasileira?
Não vou nem falar de infraestrutura, acho que a questão está na mobilidade. Só que para despertar isso no aluno, ele precisa ter o espaço do centro da sala. O professor não é mais quem detém o conhecimento, ele passa a ser um apoiador do protagonismo juvenil. A escola do futuro vai ser um espaço de troca de saberes, de convivência, mas sem hierarquia.

Como a Recode atua nesse sentido?
O nosso papel é de conectar os jovens com a oportunidade. A tecnologia, naturalmente, já pode levar o jovem para um lugar de destaque, mas temos que nutrir o protagonismo juvenil, que permite alavancar a atuação do jovem no mundo de hoje. E isso é colocar o jovem em rede, é atribuir papéis diferentes para ele. A ideia é que ele seja um solucionador de problemas. Não ensinamos para o jovem como “prototipar” um aplicativo, começamos fazendo uma pergunta: “ Quais os problemas você tem hoje na sua escola, na sua família, no seu bairro?”. A hora que ele “prototipa” o aplicativo, o jovem está também com uma conexão com o problema que ele vive, e passa a ser mais consciente da produção dele e da autoria.

E qual o retorno dos jovens?
Hoje a gente tem 5% de evasão entre os “nem-nem”, que não são um público fácil. Muitos trazem desconhecimento, falam que não tinham noção dos tipos de trabalho que existem na área. A tecnologia no Brasil é muito associada às redes sociais. Muitos jovens nunca usaram um computador e não sabem fazer login porque só usaram o celular. A hora que eles entendem o que é um computador e o que podem fazer com a máquina, ampliam a própria visão.