Greve organizada por coletivo feminista acontecerá no Dia Internacional da Mulher
greve de 24 horasCrédito: Divulgação

e aconteceria se as mulheres deixassem de fazer todas as tarefas, remuneradas ou não, a que se dedicam diariamente? Essa pergunta deverá ser respondida amanhã, quando a primeira greve de mulheres organizada na Espanha pretende enfatizar a importância, nem sempre reconhecida, do trabalho feminino. A intenção é que não compareçam ao trabalho — os sindicatos afirmam que não precisam avisar à empresa e que esta não poderá substituí-las — e que, em casa, pendurem um avental na janela como sinal de que, neste dia, também não farão nenhum serviço doméstico e de cuidados da família. A adesão popular promete ser alta — 82% apoiam a greve —, enquanto os partidos políticos se mostram divididos. Estima-se que outros 177 países devem se juntar ao movimento.

A direita se posicionou contra a greve, com comentários que ruborizaram uns e indignaram outros, fazendo ferverem as redes sociais.

A ex-deputada do governista Partido Popular (PP) Cayetana Álvarez — uma mulher de 43 anos, historiadora pela Universidade de Oxford — considera a paralisação feminista “um disparate”. Ela defendeu seu ponto de vista afirmando que a diferença de salário entre homens e mulheres, estimada entre 14% e 30%, “é menor do que dizem” e está relacionada com “a decisão que tome cada uma sobre o tipo de trabalho que quer”.
— Não neguemos a biologia para impor a ideologia — declarou Álvarez, argumentando que “as mulheres têm bebês”. — Há um empenho ideológico em tentar negar a biologia para promover a ideia de que existe um heteropatriarcado corrupto, criminoso, que vê em toda mulher algo a ser submetido ou violado.

'MOVIMENTO ELITISTA'

E quanto mais o PP se pronunciava mais tenso ficava o diálogo. De acordo com membros da legenda, a greve “não era solidária”, porque as trabalhadoras autônomas dificilmente participarão. O movimento também foi considerado “elitista”, já que só faz greve quem tem emprego. Para a ministra da Saúde, Dolors Montserrat, a iniciativa impõe um conflito entre mulheres e homens, o que “quebra o modelo de sociedade ocidental”.
— Quem vai cuidar das crianças e dos anciães? São as mulheres que cuidam deles. Essa greve é para as elites feministas e não para as mulheres reais, que têm obrigações e são responsáveis — defendeu Laura Seco, de 46 anos, membro do PP andaluz.

O partido Cidadãos, de centro-direita, foi mais contido ao posicionar-se contra a greve, embora tenha confirmado presença nas manifestações do Dia Internacional da Mulher em diferentes cidades espanholas.

De fato, a greve de amanhã — convocada pela chamada “Comissão 8M”, formada por coletivos feministas sob o lema “Se nós (mulheres) paramos, o mundo para” —, segue diferentes pautas. Pretende, também, que seja uma greve de consumo, o que desagrada o liberal Cidadãos. A intenção é que se compre somente o imprescindível e que sirva como protesto contra o uso do corpo da mulher como objeto e como chamariz publicitário.

“Exigimos ser protagonistas de nossas vidas, de nossa saúde e de nossos corpos, sem nenhum tipo de pressão estética. Nossos corpos não são mercadoria nem objeto, e por isso também fazemos greve de consumo. Basta de ser utilizadas como reclame”, defende o manifesto da Comissão 8M.

A ideia da greve feminista da Espanha é reproduzir a que parou a Islândia no dia 24 de outubro de 1975, quando nove de cada dez mulheres não foram trabalhar e, também, exigiram que seus maridos cuidassem, naquele dia, das crianças. O país nórdico, desde então, transformou-se numa referência global da luta pela igualdade, e, nos últimos anos, vem ocupando o primeiro lugar no Índice de Igualdade de Gênero do Fórum Econômico Mundial. Recentemente, também foi pioneiro na aprovação de uma lei que obriga as empresas a demonstrar que pagam os mesmos salários a homens e mulheres que ocupam postos equivalentes.

— Essa greve é para mostrar que nosso trabalho diário, tanto na vida pública como na privada, não é reconhecido. A diferença salarial existe, assim como o teto de cristal (restrição à promoção das mulheres a altos cargos) e a segregação horizontal (concentração das mulheres em postos de trabalho de menor remuneração) — afirma Munia Braña, presidente da Federação de Mulheres Jovens. — A única resposta à greve deve ser o apoio total.

As prefeitas de Madri, Manuela Carmena (independente), e de Barcelona, Ada Colau (Barcelona en Comú), já avisaram que participarão da greve, assim como todas as deputadas do Podemos. Também não há eventos na agenda oficial da rainha Letizia. Já no Partido Socialista (PSOE), a diretriz é aderir a uma paralisação de duas horas.


 

greve de 24 horasCrédito: Divulgação

e aconteceria se as mulheres deixassem de fazer todas as tarefas, remuneradas ou não, a que se dedicam diariamente? Essa pergunta deverá ser respondida amanhã, quando a primeira greve de mulheres organizada na Espanha pretende enfatizar a importância, nem sempre reconhecida, do trabalho feminino. A intenção é que não compareçam ao trabalho — os sindicatos afirmam que não precisam avisar à empresa e que esta não poderá substituí-las — e que, em casa, pendurem um avental na janela como sinal de que, neste dia, também não farão nenhum serviço doméstico e de cuidados da família. A adesão popular promete ser alta — 82% apoiam a greve —, enquanto os partidos políticos se mostram divididos. Estima-se que outros 177 países devem se juntar ao movimento.

A direita se posicionou contra a greve, com comentários que ruborizaram uns e indignaram outros, fazendo ferverem as redes sociais.

A ex-deputada do governista Partido Popular (PP) Cayetana Álvarez — uma mulher de 43 anos, historiadora pela Universidade de Oxford — considera a paralisação feminista “um disparate”. Ela defendeu seu ponto de vista afirmando que a diferença de salário entre homens e mulheres, estimada entre 14% e 30%, “é menor do que dizem” e está relacionada com “a decisão que tome cada uma sobre o tipo de trabalho que quer”.
— Não neguemos a biologia para impor a ideologia — declarou Álvarez, argumentando que “as mulheres têm bebês”. — Há um empenho ideológico em tentar negar a biologia para promover a ideia de que existe um heteropatriarcado corrupto, criminoso, que vê em toda mulher algo a ser submetido ou violado.

'MOVIMENTO ELITISTA'

E quanto mais o PP se pronunciava mais tenso ficava o diálogo. De acordo com membros da legenda, a greve “não era solidária”, porque as trabalhadoras autônomas dificilmente participarão. O movimento também foi considerado “elitista”, já que só faz greve quem tem emprego. Para a ministra da Saúde, Dolors Montserrat, a iniciativa impõe um conflito entre mulheres e homens, o que “quebra o modelo de sociedade ocidental”.
— Quem vai cuidar das crianças e dos anciães? São as mulheres que cuidam deles. Essa greve é para as elites feministas e não para as mulheres reais, que têm obrigações e são responsáveis — defendeu Laura Seco, de 46 anos, membro do PP andaluz.

O partido Cidadãos, de centro-direita, foi mais contido ao posicionar-se contra a greve, embora tenha confirmado presença nas manifestações do Dia Internacional da Mulher em diferentes cidades espanholas.

De fato, a greve de amanhã — convocada pela chamada “Comissão 8M”, formada por coletivos feministas sob o lema “Se nós (mulheres) paramos, o mundo para” —, segue diferentes pautas. Pretende, também, que seja uma greve de consumo, o que desagrada o liberal Cidadãos. A intenção é que se compre somente o imprescindível e que sirva como protesto contra o uso do corpo da mulher como objeto e como chamariz publicitário.

“Exigimos ser protagonistas de nossas vidas, de nossa saúde e de nossos corpos, sem nenhum tipo de pressão estética. Nossos corpos não são mercadoria nem objeto, e por isso também fazemos greve de consumo. Basta de ser utilizadas como reclame”, defende o manifesto da Comissão 8M.

A ideia da greve feminista da Espanha é reproduzir a que parou a Islândia no dia 24 de outubro de 1975, quando nove de cada dez mulheres não foram trabalhar e, também, exigiram que seus maridos cuidassem, naquele dia, das crianças. O país nórdico, desde então, transformou-se numa referência global da luta pela igualdade, e, nos últimos anos, vem ocupando o primeiro lugar no Índice de Igualdade de Gênero do Fórum Econômico Mundial. Recentemente, também foi pioneiro na aprovação de uma lei que obriga as empresas a demonstrar que pagam os mesmos salários a homens e mulheres que ocupam postos equivalentes.

— Essa greve é para mostrar que nosso trabalho diário, tanto na vida pública como na privada, não é reconhecido. A diferença salarial existe, assim como o teto de cristal (restrição à promoção das mulheres a altos cargos) e a segregação horizontal (concentração das mulheres em postos de trabalho de menor remuneração) — afirma Munia Braña, presidente da Federação de Mulheres Jovens. — A única resposta à greve deve ser o apoio total.

As prefeitas de Madri, Manuela Carmena (independente), e de Barcelona, Ada Colau (Barcelona en Comú), já avisaram que participarão da greve, assim como todas as deputadas do Podemos. Também não há eventos na agenda oficial da rainha Letizia. Já no Partido Socialista (PSOE), a diretriz é aderir a uma paralisação de duas horas.