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Palavra
do Presidente
O
Brasil e o mundo no 1º. de Maio
30/04/2007
@ 10:00
Como
sempre faz todos os anos, a Força Sindical vai realizar
eventos de 1° de Maio nos Estados de São Paulo,
Alagoas, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Paraná,
Rio Grande do Sul, Santa Catarina , Espírito Santo
e em diversas cidades do interior paulista. Em São
Paulo, o Dia do Trabalhador irá acontecer na Praça
Campo de Bagatelle. Os eventos terão muita diversão,
mas também será refletir sobre o mundo do trabalho
e, desta vez, até sobre o futuro da humanidade em nosso
frágil planeta, agora ameaçado pelo aquecimento
global.
No Brasil, queremos mais empregos, salários justos,
juros menores, menos impostos, para que todos possam pagar,
regras claras nas parcerias com o setor privado, educação
de qualidade para nossos filhos e a legalização
das centrais sindicais. No Brasil e no mundo, precisamos conter
a emissão de gases, para que o clima não piore
mais do que piorou, ameaçando nossa própria
existência.
O
lema de nossa grande festa, este ano, é “Os trabalhadores
em defesa do planeta”, e com ele pretendemos conscientizar
a sociedade para a questão ambiental. O tema visa alertar
e cobrar dos governantes medidas de impacto contra a degradação
do meio ambiente e da qualidade de vida. Cada trabalhador-cidadão
precisa estar consciente dos problemas e seus reflexos no
dia a dia.
Vamos
debater também melhorias nas condições
de trabalho e a busca harmoniosa entre progresso e o meio
ambiente, como a utilização dos recursos ambientais
de forma consciente e racional. Sabemos que a questão
da saúde e da segurança do trabalhador está
intrinsecamente ligada ao seu ambiente. Nesta crise ambiental
vale ressaltar que quem agride a natureza na verdade agride
o próprio ser humano.
Outras
questões que envolvem o mundo do trabalho também
serão discutidas. Recentemente, o governo federal vetou
a aprovação da chamada Emenda 3 da Super-receita.
Desde então, as entidades sindicais não pouparam
esforços para manter este veto no Congresso Nacional.
Esta
emenda é nefasta para os trabalhadores. Ela pretende
esterilizar a capacidade dos órgãos federais
de reprimir prontamente contratos que ludibriam a legislação
trabalhista. Ela é tão surreal que chega ao
absurdo de proibir o fiscal de fiscalizar. Com tal mecanismo,
os trabalhadores ficarão desprotegidos e passarão
a emitir notas fiscais para receber salários. Em pouco
tempo, a carteira de trabalho passará a ser peça
de museu.
Esta
emenda é carregada de simbolismo, já que é
uma reforma trabalhista disfarçada. A emenda dá
conforto a fraudes deliberadas e vai retirar direitos adquiridos
dos trabalhadores como férias, 13º salário,
auxílio-desemprego e as licenças maternidade
e paternidade. Não podemos nos calar diante deste absurdo.
Estamos alertando a sociedade e contamos com a sensibilidade
social dos parlamentares para evitar tal retrocesso.
A
legalização das centrais sindicais também
estará na pauta do dia. O que se pretende é
corrigir uma grande distorção da legislação
sindical. As centrais existem de fato, como associações
civis, negociam com os empregadores e com o governo, são
filiadas a entidades internacionais, participam de conselhos
governamentais – mas não são reconhecidas
de direito, ou seja, não fazem parte, juridicamente,
do sistema sindical.
Com
o reconhecimento das centrais pretende-se fortalecer o sindicalismo
brasileiro. Seus atos terão força não
apenas política, como acontece hoje, mas também
força jurídica. Outra reivindicação
é a legalização do sindicato nacional
dos aposentados.
Vamos
também debater a questão do desemprego no país.
Sabemos que a criação de novos postos de trabalho
está ligada ao crescimento econômico. Mas como
gerar novos postos de trabalho se estamos tendo um crescimento
pífio? Alguém se lembra da divulgação
do último PIB? Crescemos 3,7% em 2006. Um dado interessante:
apenas para absorver a mão-de-obra que ingressa todo
ano no mercado de trabalho, precisamos crescer 5%.
O
sistema tributário brasileiro, verdadeiro Frankenstein,
alia-se aos juros altos para envenenar a economia e minar
nossa capacidade de crescer. Por isso, o sistema precisa ser
reformado. E os juros, como sempre defendemos há mais
de 10 anos, baixar, pois a inflação já
está sob controle e as altas taxas não se justificam
mais. E o inferno do spread bancário que hoje é
elevadíssimo. É preciso repensar este modelo.
O
governo do presidente Lula afirma que agora a coisa vai –
que vamos crescer. A intenção é boa,
mas ainda falta muito. Com menos impostos e menos juros, assentam-se
as bases do crescimento. Acreditamos no Brasil. Muito está
sendo feito pelo atual governo, mas é preciso mais
ousadia para alcançarmos desenvolvimento econômico
com justiça social.
Paulo
Pereira da Silva, o Paulinho da Força,
Presidente da Força Sindical
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