Após uma difícil negociação, um acordo coletivo para os metalúrgicos do sudoeste da Alemanha acertou aumento salarial e jornada de trabalho flexível de até 28 horas por semana, o que pode se tornar referência para milhões de trabalhadores da maior economia da Europa e prenuncia um aumento dos salários nos próximos anos.
Ig MetalCrédito: Divulgação
O acordo entre o sindicato trabalhista IG Metal e a federação empresarial Suedwestmetall, firmado na noite de segunda-feira, prevê um aumento salarial de 4,3% a partir de abril, e outros pagamentos ao longo de 27 meses.

A negociação deverá encerrar anos de contenção salarial na Alemanha, potencialmente ajudando a tarefa do Banco Central Europeu (BCE), que tenta levar a inflação na zona do euro de volta para a meta de cerca de 2%.

Em base anualizada, o acordo é equivalente a um aumento dos salários de 3,5%, segundo o analista do Commerzbank Eckart Tuchfeld, bem abaixo da exigência inicial de 6% do IG Metall, mas ainda assim foi visto como um bom acordo.

"Os aumentos acertados e as medidas complementares estão na ponta mais alta das expectativas e deverão resultar em aumentos anuais salariais de cerca de 4% nos próximos dois anos", diz Frederik Ducrozet, analista da Pictet.

O acordo "piloto", firmado num cenário de forte recuperação econômica e menor taxa de desemprego desde a reunificação da Alemanha, em 1990, cobre meio milhão de trabalhadores do sudoeste do país, sede de potências industriais como a montadora Daimler.

Ele deverá ser aplicado também ao resto da Alemanha e influenciará as negociações de outros setores. O Verdi, segundo maior sindicato trabalhista alemão, deverá publicar suas demandas salariais para os trabalhadores do setor público amanhã. O Verdi e o IG Metall respondem, juntos, por cerca de 15% da força de trabalho do país.

O acordo do IG Metall reforçará as expectativas do mercado pela retirada dos estímulos econômicos pelo BCE neste ano, uma vez que o crescimento do bloco é agora autossustentado, e os salários estão aumentando lentamente.

Ele foi firmado no momento em que as ações e bônus estão em queda pelo mundo, entre outros motivos pelo temor de que o forte momento do mercado de trabalho nos EUA possa forçar altas antecipadas das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o BC americano).

Mas as perspectivas na zona do euro são diferentes. A taxa de desemprego ainda está em quase 9% e a medida mais ampla, que inclui trabalhadores temporários e de meio-período, talvez seja duas vezes isso, segundo economistas.

Os empregadores concordaram ainda em conceder aos trabalhadores o direito de reduzir a semana de trabalho das 35 horas normais para 28, caso eles tenham de cuidar de filhos, parentes idosos ou por motivos de doença. Este foi um pontos de maior impasse nas negociações e vale por dois anos.

"As prioridades dos trabalhadores mudaram. Em vez de salários maiores, o equilíbrio entre a vida profissional e a vida particular está hoje em foco", diz Christiane von Berg, economista da BayernLB.

Em troca da exigência do IG Metall sobre horas de trabalho, os empregadores ganharam a possibilidade capacidade de contratar mais funcionários dispostos a trabalhar até 40 horas por semana, criando a flexibilidade de que precisam para elevar a produção nos períodos de grande demanda.

O IG Metall realizou uma série de greves de 24 horas e ameaçou mobilizar seus membros para uma grande ação se os patrões não fizessem concessões na sexta rodada de negociações, na segunda-feira. As greves da semana passada custaram às montadoras, fornecedores de autopeças e empresas de engenharia quase € 200 milhões de euros em receitas perdidas, afetando empresas como Daimler, BMW e Airbus, além de dezenas de fornecedores menores.

Como sempre acontece no ritualizado sistema alemão de negociações salariais, os detalhes do acordo firmado pelo IG Metall são bastante complexos;

Na segunda-feira, Stefan Wolf, negociador da Suedwestmetall, disse que o custo para os patrões será inferior a 4% ao ano, o que segundo especialistas do setor levará as empresas aos seus limites.

Além do aumento salarial de 4,3% em abril, os trabalhadores receberão um abono extraordinário de € 100 referente ao primeiro trimestre. A partir de 2019, eles receberão um abono adicional anual e fixo de € 400, além de um pagamento equivalente a 27,5% do salário mensal. Alguns trabalhadores poderão optar por ter mais tempo de folga em vez de receber o abono.

"Este acordo salarial prejudica especialmente as muitas empresas de tamanho médio do setor de maquinário e engenharia industrial", disse ontem Thilo Brodtmann, diretor-executivo da associação empresarial VDMA.

Isso poderá levar mais empresas médias e de capital fechado, que formam a espinha dorsal da economia alemã, a buscar acordos trabalhistas com seus funcionários sem o envolvimento de sindicatos como o IG Metall, disse ele.

Apesar desse temor, o setor industrial alemão continua acelerando. As encomendas à indústria cresceram 3,8% em dezembro, bem acima das estimativas de 0,7%. As encomendas internas cresceram a um ritmo mais moderado de 0,9%, mas as externas 5,9%, puxadas pelos pedidos dos países vizinhos da zona do euro. A utilização da capacidade instalada é a maior desde 2008.

 

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O acordo entre o sindicato trabalhista IG Metal e a federação empresarial Suedwestmetall, firmado na noite de segunda-feira, prevê um aumento salarial de 4,3% a partir de abril, e outros pagamentos ao longo de 27 meses.

A negociação deverá encerrar anos de contenção salarial na Alemanha, potencialmente ajudando a tarefa do Banco Central Europeu (BCE), que tenta levar a inflação na zona do euro de volta para a meta de cerca de 2%.

Em base anualizada, o acordo é equivalente a um aumento dos salários de 3,5%, segundo o analista do Commerzbank Eckart Tuchfeld, bem abaixo da exigência inicial de 6% do IG Metall, mas ainda assim foi visto como um bom acordo.

"Os aumentos acertados e as medidas complementares estão na ponta mais alta das expectativas e deverão resultar em aumentos anuais salariais de cerca de 4% nos próximos dois anos", diz Frederik Ducrozet, analista da Pictet.

O acordo "piloto", firmado num cenário de forte recuperação econômica e menor taxa de desemprego desde a reunificação da Alemanha, em 1990, cobre meio milhão de trabalhadores do sudoeste do país, sede de potências industriais como a montadora Daimler.

Ele deverá ser aplicado também ao resto da Alemanha e influenciará as negociações de outros setores. O Verdi, segundo maior sindicato trabalhista alemão, deverá publicar suas demandas salariais para os trabalhadores do setor público amanhã. O Verdi e o IG Metall respondem, juntos, por cerca de 15% da força de trabalho do país.

O acordo do IG Metall reforçará as expectativas do mercado pela retirada dos estímulos econômicos pelo BCE neste ano, uma vez que o crescimento do bloco é agora autossustentado, e os salários estão aumentando lentamente.

Ele foi firmado no momento em que as ações e bônus estão em queda pelo mundo, entre outros motivos pelo temor de que o forte momento do mercado de trabalho nos EUA possa forçar altas antecipadas das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o BC americano).

Mas as perspectivas na zona do euro são diferentes. A taxa de desemprego ainda está em quase 9% e a medida mais ampla, que inclui trabalhadores temporários e de meio-período, talvez seja duas vezes isso, segundo economistas.

Os empregadores concordaram ainda em conceder aos trabalhadores o direito de reduzir a semana de trabalho das 35 horas normais para 28, caso eles tenham de cuidar de filhos, parentes idosos ou por motivos de doença. Este foi um pontos de maior impasse nas negociações e vale por dois anos.

"As prioridades dos trabalhadores mudaram. Em vez de salários maiores, o equilíbrio entre a vida profissional e a vida particular está hoje em foco", diz Christiane von Berg, economista da BayernLB.

Em troca da exigência do IG Metall sobre horas de trabalho, os empregadores ganharam a possibilidade capacidade de contratar mais funcionários dispostos a trabalhar até 40 horas por semana, criando a flexibilidade de que precisam para elevar a produção nos períodos de grande demanda.

O IG Metall realizou uma série de greves de 24 horas e ameaçou mobilizar seus membros para uma grande ação se os patrões não fizessem concessões na sexta rodada de negociações, na segunda-feira. As greves da semana passada custaram às montadoras, fornecedores de autopeças e empresas de engenharia quase € 200 milhões de euros em receitas perdidas, afetando empresas como Daimler, BMW e Airbus, além de dezenas de fornecedores menores.

Como sempre acontece no ritualizado sistema alemão de negociações salariais, os detalhes do acordo firmado pelo IG Metall são bastante complexos;

Na segunda-feira, Stefan Wolf, negociador da Suedwestmetall, disse que o custo para os patrões será inferior a 4% ao ano, o que segundo especialistas do setor levará as empresas aos seus limites.

Além do aumento salarial de 4,3% em abril, os trabalhadores receberão um abono extraordinário de € 100 referente ao primeiro trimestre. A partir de 2019, eles receberão um abono adicional anual e fixo de € 400, além de um pagamento equivalente a 27,5% do salário mensal. Alguns trabalhadores poderão optar por ter mais tempo de folga em vez de receber o abono.

"Este acordo salarial prejudica especialmente as muitas empresas de tamanho médio do setor de maquinário e engenharia industrial", disse ontem Thilo Brodtmann, diretor-executivo da associação empresarial VDMA.

Isso poderá levar mais empresas médias e de capital fechado, que formam a espinha dorsal da economia alemã, a buscar acordos trabalhistas com seus funcionários sem o envolvimento de sindicatos como o IG Metall, disse ele.

Apesar desse temor, o setor industrial alemão continua acelerando. As encomendas à indústria cresceram 3,8% em dezembro, bem acima das estimativas de 0,7%. As encomendas internas cresceram a um ritmo mais moderado de 0,9%, mas as externas 5,9%, puxadas pelos pedidos dos países vizinhos da zona do euro. A utilização da capacidade instalada é a maior desde 2008.